Recordações de Alice Heuser sobre seus ancestrais

Este documento é um breve relato de autoria de Alice Heuser Ertel contendo suas recordações de seus ancestrais das famílias Heuser e Textor.

Tia Alice era minha tia-avó, irmã de meu avô Alfredo. Ela foi a genealogista da família. Uma pequena árvore genealógica que ela montou com os descendentes do casal de imigrantes Heuser (Heinrich Carl Heuser e Maria Katherina Bartz) foi a primeira fonte que obtive para começar minhas pesquisas que resultaram neste site.

O documento não está datado, mas por uma observação no texto parece ter sido redigido em 1970. Para facilitar a leitura, inseri algumas observações em itálico e entre colchetes. Também inseri links para as pessoas mencionadas na árvore genealógica correspondente.

Uma curiosidade, é que tenho duas versões do documento, uma manuscrita (vide imagem abaixo) e outra datilografada e o conteúdo das duas é um pouco diferente. Anotei as diferenças abaixo.

A partir deste ponto, inicia o relato propriamente dito.

Carlos A Heuser, fevereiro de 2021

[Os Heuser]

Meu avô [Heinrich Carl Heuser] era um homem alto, olhos castanhos usava barba. Minha Vovó (“Grossmutter”) [Maria Katherina Bartz] era fininha, com cabelos espessos, bem louros e olhos azul celeste, que eu ainda me lembro (a Minchem Berends Schütz [Wilhelmine Christine Pauline Behrends] tem este azul de olhos – é mãe do comandante Schütz da Varig). Minchen, Emil [Emílio Heuser] e eu somos os únicos netos vivos de Heinrich Carl Heuser (1970).

Em 1913, em viagem de núpcias, quando estive com Max [Max Ertel] em Enkirch, ainda visitamos os túmulos de meus bisavós. Mas, depois da guerra, [quando lá estivemos] com Marieta [Marieta Ana Frantz], uma bomba havia destruído todo cemitério, também a velha casa da Família Heuser. Eles eram vinicultores e emigraram depois de um ano de má colheita, acreditando que encontrariam vida melhor na nova terra. Não existia mais ninguém com o nome Heuser em Enkirch, só na cidade de Traben-Trarbach.

[Os Textor]

Pelos contos de meu velho amigo, tio Emílio Textor “da Serra”, irmão mais velho da vovó Schwerin Thompson [Clara Textor] e que vinha de Soledade em visita a seu filho Ricardo [Ricardo Textor], guardei lindas recordações. Ele vinha me visitar quando eu trabalhava na arca que hoje está em casa da Nina. Eu tinha 19 anos e estava noiva. Me contou do “Gut Schönwalde” e sabia muitas poesias em “Pommerschplatt” [dialeto Pomerano]. O pai [Adolf Friedrich Textor] era “Förster” [silvicultor], mas quais as razões da imigração não se conhece. Aqui, na Chácara das Bananeiras, o Governo mantinha uma criação de ovelhas e de lá minha vovó Clara [Clara Textor] tinha suas lembranças mais felizes da infância. Brincava no Morro da Polícia [para um relato mais detalhado sobre a chácara administrada por Adolf Textor vide este post].

Eu guardo o álbum de poesias de minha madrinha Malvina Bartholomay, irmã de Clara, de seu tempo de internato em Stettin de 1828 [esta data deve estar incorreta, visto que Malvine nasceu em 1845 – também parece improvável que uma criança tão pequena tenha sido mandada para um internato, visto que os Textor emigraram em 1851] e terminando em Porto Alegre com a última lembrança em 10 de agosto de 1884.

[no texto datilografado, o último parágrafo tem uma redação um pouco diferente] Tenho um álbum de poesias de minha madrinha Malvine Textor Bartholomay, da época em que ela estava em uma pensão em Stettin, em 1828, de Wilhelmine Johann Textor. A primeira inscrição feita no Brasil data de 12 de julho de 1854. Depois não tem nenhuma inscrição.

Relato no original